EXCLUSIVA – A ampliação do acesso ao seguro de vida e o fortalecimento da proteção financeira das famílias brasileiras foram temas centrais da abertura da primeira edição do Congresso Minha Vida Protegida, realizado nesta sexta-feira (06), no centro da capital paulista. O encontro reuniu profissionais do mercado com o objetivo de discutir estratégias de disseminação do seguro de vida no país.
Durante a palestra de abertura, o presidente do Instituto Minha Vida Protegida, Rogério Araújo, fez um alerta sobre o discurso recorrente utilizado para explicar a baixa penetração do produto no Brasil. “Precisamos parar de dizer que a falta de penetração do seguro de vida no Brasil se deve à falta de cultura. O seguro de vida não está mais presente na vida das pessoas por falta de oferta e de conhecimento”, afirmou.
Segundo o executivo, ainda existe um grande desafio na disseminação de informação sobre proteção financeira e planejamento de longo prazo para a população brasileira. Araújo destacou que uma parcela significativa das famílias ainda vive em situação de vulnerabilidade financeira diante de imprevistos.
De acordo com dados apresentados durante a palestra, cerca de 70% das famílias brasileiras dependem de apenas uma fonte de renda e não possuem qualquer tipo de proteção financeira estruturada ou reserva de segurança. Para ele, esse cenário evidencia a necessidade de ampliar a conscientização sobre planejamento financeiro e gestão de riscos. “O seguro de vida tem um papel de transformação social dentro da nossa sociedade. Ele protege sonhos, metas e pode mudar completamente a realidade financeira de uma família diante de um evento inesperado”, ressaltou.
Desafio de informação e acesso ao produto
Outro ponto destacado pelo presidente do movimento foi o baixo nível de conhecimento da população sobre as possibilidades de proteção existentes no mercado. Segundo ele, 82% dos brasileiros não possuem qualquer tipo de cobertura de seguro de vida ou proteção complementar, o que demonstra o espaço ainda existente para expansão do produto.
Para Araújo, o problema não está necessariamente na falta de interesse do consumidor, mas sim na ausência de acesso à informação adequada e à oferta do produto. “Não podemos mais falar em falta de cultura. Muitas pessoas valorizam educação, patrimônio e proteção familiar. O que acontece é que o seguro de vida muitas vezes não chega até elas”, afirmou.
O executivo também chamou atenção para o papel estratégico dos corretores de seguros no processo de disseminação do produto. Segundo ele, ainda existe uma barreira comercial que precisa ser superada dentro do próprio mercado. “Muitos profissionais deixam de ofertar seguro de vida por receio de ouvir um ‘não’. Mas muitas vezes essa negativa não é sobre o produto, e sim sobre a forma como ele é apresentado”, explicou.
Araújo defendeu que o setor precisa evoluir na forma de comunicação com o cliente, deixando de focar apenas em aspectos técnicos e passando a destacar o impacto do seguro na proteção familiar e na construção de patrimônio. “Precisamos parar de falar apenas de coberturas e começar a falar sobre o que realmente importa: proteção, cuidado e segurança para o futuro das famílias”, disse.
Levando ao palco um exemplo real sobre a importância da proteção financeira, o congresso também apresentou a história da diarista Marlene e de seu filho Gabriel, diagnosticado com autismo e síndrome de Down. Durante o relato, ela compartilhou que sua maior preocupação em relação ao futuro é saber quem cuidará de seu filho caso algo aconteça com ela.
Casos como o de Marlene foram apresentados como um retrato de uma realidade enfrentada por muitas famílias brasileiras, reforçando a importância do planejamento financeiro e da proteção proporcionada pelo seguro de vida. Para os organizadores do evento, situações como essa evidenciam o papel do corretor de seguros na orientação dos clientes e na oferta de soluções que possam garantir segurança e estabilidade financeira para as famílias no longo prazo.
Proteção financeira e comportamento do consumidor
Durante a apresentação, o presidente do movimento também abordou aspectos comportamentais relacionados às decisões financeiras dos brasileiros. Segundo ele, apesar de muitos consumidores demonstrarem preocupação com o futuro financeiro, essa preocupação nem sempre se traduz em ações concretas de proteção.
O executivo citou como exemplo o crescimento do interesse por apostas online e outros tipos de investimento de risco, que muitas vezes acabam sendo priorizados em detrimento de instrumentos de proteção financeira.
Para Araújo, esse cenário reforça a importância da educação financeira e da ampliação do acesso à informação qualificada sobre planejamento de longo prazo. “O ponto de partida é o conhecimento. As pessoas precisam entender que proteger sua renda e sua família também faz parte do planejamento financeiro”, afirmou.
A programação do congresso também incluiu apresentações sobre cenário de mercado, planejamento financeiro, estratégias de vendas e novas abordagens para o seguro de vida. Entre os temas discutidos ao longo do dia estiveram o papel do seguro de vida no planejamento patrimonial, a importância das coberturas em vida, a proteção de famílias com diferentes estruturas e o uso do produto em estratégias empresariais e sucessórias. Especialistas também abordaram oportunidades de crescimento para o setor, destacando a necessidade de ampliar a conscientização da sociedade sobre os benefícios da proteção financeira.
Na avaliação dos participantes, apesar dos avanços registrados nos últimos anos, o mercado brasileiro de seguros de vida ainda apresenta elevado potencial de expansão, especialmente diante do cenário de mudanças demográficas, aumento da longevidade e maior preocupação da população com planejamento financeiro.
Nicholas Godoy, de São Paulo.
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