A Aon divulgou em seu mais recente Climate and Catastrophe Insight que os desastres naturais no Brasil resultaram em aproximadamente US$ 5,4 bilhões em perdas financeiras em 2025. Segundo o relatório, as secas sazonais em todo o país causaram fortes prejuízos agrícolas, principalmente na região amazônica, que segue enfrentando uma das secas mais intensas e prolongadas já registradas.

O sudeste do Brasil mostrou sinais de recuperação em 2025, mas o cenário na região amazônica continua a exacerbar a turbulência regional. A contribuição da energia hidrelétrica para a geração nacional de energia elétrica, tipicamente em torno de 66%, caiu abaixo de 50% em agosto.

Recorrente no País, a seca também é uma questão consistente em toda a América do Sul. Em 2023, a região testemunhou uma das perdas mais caras já registradas, com mais de US$ 16 bilhões em danos apenas na Bacia do Prata. De igual maneira, com a escassez de água e incêndios florestais devastadores na região amazônica, os prejuízos continuaram a ser devastadores em 2024.

A estiagem também representa riscos para a indústria de Café, ameaçando a interrupção da cadeia de suprimentos global. Atualmente, além do Brasil, a Colômbia e o Vietnã são os principais países produtores do grão do mundo. O Brasil sozinho sofreu US$ 139 bilhões em perdas relacionadas à seca nos últimos 30 anos, e uma nova análise do Climate Risk Monitor da Aon sugere que condições de alta escassez podem colocar em perigo cerca de 54% das colheitas globais até 2050.

Beatriz Protasio, CEO de Resseguros para o Brasil na Aon, comenta que o crescente número de desastres causados por intempéries do clima demanda direcionamento e esforços específicos de mitigação. “Compreender os impactos dos riscos climáticos e a necessidade de adotar ferramentas que ajudem a transferir riscos, atenuar esses danos e agilizar a recuperação pós-catástrofe é de extrema importância. É necessário investimento em infraestruturas mais resilientes, além de mais conscientização de empresas, órgãos públicos e da sociedade”, destaca.

Nesse sentido, ela menciona o seguro paramétrico, que permite indenizações ágeis e transparentes frente a perdas derivadas por catástrofes climáticas. “Além disso, sistemas de alerta precoce e ferramentas de análise e gestão de riscos climáticos, como o Climate Risk Monitor (CRM) da Aon, também são importantes aliados. A plataforma é baseada em dados e modelos preditivos de catástrofes, que apoiam as organizações a compreender e atenuar seus níveis de exposição a ameaças derivadas do clima de maneira mais estratégica e resiliente”.

Impactos Globais

No mundo, os desastres naturais resultaram em perdas econômicas de US$ 260 bilhões, o valor mais baixo desde 2015. Já as perdas seguradas globais permaneceram elevadas em US$ 127 bilhões, marcando o sexto ano consecutivo em que os pagamentos de seguros excederam o limite de US$ 100 bilhões.

Os Incêndios florestais na Califórnia (Palisades e Eaton) foram os eventos mais custosos do ano, causando US$ 58 bilhões em perdas econômicas e US$ 41 bilhões em perdas seguradas, tornando-os os mais caros já registrados globalmente.

Além disso, o relatório aponta que tempestades convectivas severas (SCS) ultrapassaram os ciclones tropicais como o perigo segurado mais custoso do século 21, impulsionadas por episódios de alta frequência e alta gravidade nos EUA. Somente em 2025, as SCS geraram US$ 61 bilhões em perdas seguradas globalmente, o terceiro maior total de SCS já registrado.

Segundo a análise da Aon, ocorreram 49 eventos de perda econômica de bilhões de dólares em 2025 (acima da média de longo prazo de 46), enquanto 30 eventos de perda segurada de bilhões de dólares excederam em muito a média histórica de 17, ressaltando o efeito de acumulação de catástrofes de médio porte cada vez mais frequentes.

As fatalidades globais totalizaram 42 mil, impulsionadas principalmente por terremotos e ondas de calor — 45% abaixo da média do século 21. O terremoto em Mianmar foi o evento mais mortal, com a perda de mais de 5 mil vidas, excetuando as ondas de calor, que causaram 25 mil mortes globalmente.

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