EXCLUSIVO – Um dos maiores desafios do mercado de seguros é se aproximar do cotidiano das pessoas, tornando produtos e serviços mais acessíveis e compreensíveis pela sociedade. A tecnologia e o uso intensivo de dados, com aplicação de Inteligência Artificial e escuta ativa, ampliam o escopo de coberturas e redesenham as ofertas para atender as demandas concretas da população, principalmente das camadas com menor acesso à proteção. Estas possibilidades despertaram na Generali o interesse pela busca de um público que consome microsseguros e que ainda é pouco atendido.

A empresa aposta em produtos como proteção para transações via Pix, Bolsa Protegida e até soluções voltadas à gestação. “O nosso principal canal hoje é o B2B2C, e estamos sempre muito atentos ao que os nossos clientes trazem. Eles são o ponto focal, estão em contato direto com o consumidor e sabem quais são as dores no dia a dia”, afirma Conrado Gordon, diretor Técnico de Sinistros da Generali Brasil. Segundo ele, a capilaridade geográfica da operação também contribui para a personalização das soluções. “O Brasil tem diferenças sociais, econômicas e regionais muito marcantes e isso precisa ser considerado no desenvolvimento dos produtos”.

Essa abordagem visa a criação de produtos inclusivos. A companhia direciona esforços para atender, sobretudo, públicos historicamente menos assistidos. “Nosso principal papel é social. Não estamos aqui para desenvolver produtos que não façam sentido. Queremos soluções que tenham usabilidade real”, reforça o executivo.

Um dos principais desafios históricos do setor, a percepção negativa sobre cláusulas restritivas e falta de clareza, começa a ser superado com a evolução tecnológica e a entrada de insurtechs e fintechs. A ampliação dos canais de distribuição e o aumento da concorrência contribuíram para tornar os produtos mais transparentes e acessíveis.

“No passado, havia uma desconexão entre o que era vendido e o que era entregue. Hoje, com mais concorrência e tecnologia, temos ganhos tanto em preço quanto em clareza”, explica Gordon. Ele destaca ainda o papel dos aplicativos e da inteligência artificial na educação do consumidor. “Hoje, o cliente consegue entender melhor o que está contratando, inclusive conceitos técnicos, diretamente no celular”  .

Esse avanço também impacta a própria estrutura das coberturas. Produtos como o seguro para celulares, que antes contemplavam apenas eventos específicos, como roubo ou furto qualificado, passaram a incluir situações como perda, algo impensável no passado devido ao risco de fraude. Com ferramentas de machine learning, as seguradoras conseguem hoje identificar padrões e aumentar o controle sobre sinistros, permitindo maior flexibilidade. “A inteligência artificial foi uma das grandes responsáveis por essa evolução. Ela permite ampliar coberturas com mais segurança”, afirma.

Outro eixo relevante dessa transformação é a ampliação do conceito de seguro, que deixa de ser apenas um instrumento de indenização para se tornar uma plataforma de serviços. Nesse contexto, ganham espaço coberturas associadas à saúde, com foco em acesso, não necessariamente na substituição dos planos tradicionais. “Enxeergamos uma grande oportunidade em preencher lacunas da saúde pública com coberturas complementares, como telemedicina, consultas na rede privada e reembolso de medicamentos”, explica Gordon.

A lógica é clara: aumentar o uso do seguro em vida e criar pontos de contato mais frequentes com o cliente, reduzindo a percepção de que o produto só é útil em situações extremas.

Customização e modelo ‘Lego’

O futuro aponta para um modelo cada vez mais modular. A possibilidade de combinar diferentes coberturas em um único produto é algo que já começa a ser viabilizado pela regulação e abre caminho para soluções personalizadas. “A tendência é seguir na linha de produtos ‘plug and play’, como um Lego. O cliente poderá montar o seguro de acordo com suas necessidades”, afirma o executivo da Generali.

Essa flexibilização também reflete mudanças no ambiente regulatório e no avanço de iniciativas como Open Finance, que ampliam o acesso a dados e permitem ofertas mais aderentes ao perfil do consumidor. Embora o modelo B2B2C continue relevante, especialmente no contexto brasileiro, cresce a expectativa de maior interação direta entre seguradoras e clientes finais.

A evolução tecnológica também impulsiona novas formas de indenização, como os seguros paramétricos, que utilizam dados externos, como índices climáticos, para automatizar pagamentos, sem necessidade de aviso de sinistro. “Você consegue identificar o evento automaticamente e já fazer o pagamento. Isso ajuda a mudar a percepção de que a seguradora não quer pagar”, destaca Gordon.

Ao mesmo tempo, temas como eventos climáticos e saúde seguem no radar como frentes prioritárias de desenvolvimento de produtos e coberturas na Generali, refletindo tanto mudanças sociais quanto o aumento da exposição a riscos sistêmicos.

Gordon é categórico: “A jornada envolve mudar a percepção. Seguro é proteção, não algo negativo”.

Kelly Lubiato

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