EXCLUSIVO – Com o olhar voltado para uma camada de emergentes sociais da população brasileira que passou a utilizar as contas internacionais em dólar, a Olé Life desenhou um produto de seguro de vida com pagamento de prêmio e indenização em dólares. Sediada em Miami, a empresa já possui negócios na Argentina, Chile e Equador

Ela contempla a entrada de novos modelos de negócios no mercado segurador brasileiro, com uma proposta que combina tecnologia, distribuição digital e parcerias locais para viabilizar um produto ainda pouco explorado no país.

A insurtech optou por operar no Brasil por meio de parcerias, em vez de atuar diretamente como seguradora. “O Brasil não é para iniciantes. Você precisa de um parceiro local forte”, afirma Michael Carricarte, CEO e fundador da Olé Life. Segundo ele, a estratégia envolve a atuação conjunta com a Excelsior Seguros, como seguradora emissora, além do suporte de resseguro da Munich Re e da integração com a fintech Nomad.

“O que trazemos para a mesa é a expertise em seguros, tecnologia e conhecimento de distribuição. Essa combinação torna a parceria muito eficiente”, avalia Michael. A iniciativa nasce a partir de uma demanda identificada no comportamento do investidor brasileiro. Com o crescimento dos investimentos no exterior, especialmente em ativos dolarizados, surge uma lacuna na proteção financeira. “Existe um descompasso: as pessoas investem em dólar, mas continuam protegidas em reais. Nosso papel é equilibrar isso”, destaca o executivo.

Autorizada pela Susep

A companhia afirma ter sido a primeira a obter aprovação da Superintendência de Seguros Privados (Susep) para comercializar um produto de seguro de vida em dólar no Brasil. “Fizemos história. É um conceito novo e a Susep foi bastante aberta e colaborativa durante todo o processo”, disse Michael.

Os produtos são destinados, principalmente, a brasileiros com exposição a ativos internacionais, com perfil entre 30 e 45 anos e investimentos entre US$ 5 mil e US$ 25 mil. “Estamos falando de uma classe média emergente, que já pensa em dólar e busca proteção de longo prazo”, acredita.mA distribuição ocorre inicialmente por meio da base de clientes da Nomad e também via corretores, com foco em perfis previamente qualificados.

Um dos pilares do modelo é a digitalização completa da jornada de contratação. “O cliente recebe um link, preenche as informações em oito a dez minutos e, em 80% dos casos, sabe em até 24 horas se está coberto”, esclarece o CEO. O processo dispensa exames médicos tradicionais e utiliza inteligência artificial e análise de dados para subscrição de risco. Ainda assim, a empresa reforça que a tecnologia não substitui a experiência técnica. “A inteligência artificial não substitui o conhecimento humano. O sucesso está em combinar os dois”.

A insurtech desenvolveu uma plataforma proprietária de underwriting, adaptada às características de risco da América Latina e, especificamente, do Brasil. “Já conseguimos diferenciar riscos por país e estamos evoluindo para análises regionais, como São Paulo versus Rio de Janeiro”, acrescenta Michael.

Os prêmios das apólices de seguro de vida permanecem inalterados por cinco anos, podendo ser prorrogados por mais cinco anos, e este é justamente um dos diferenciais.

Em um mercado conhecido pelos desafios relacionados as fraudes, a empresa aposta em múltiplas camadas de proteção. “Não estamos vendendo para o público geral indiscriminadamente. Trabalhamos com clientes já qualificados, seja via Nomad ou por corretores”, diz. Além disso, o processo inclui verificação de dados públicos e análise comportamental. “Hoje conseguimos cruzar informações, inclusive de redes sociais, para validar dados. Isso era impossível no passado”, crava.

Expansão e novos produtos

A estratégia no Brasil inclui a ampliação do portfólio com coberturas adicionais. “Vamos lançar complementos como doenças graves e câncer. Nosso objetivo não é ser uma empresa de seguro de vida, mas uma empresa de proteção”, destaca o CEO.

Outro diferencial apontado é a previsibilidade de preços. As apólices oferecem prêmio nivelado por cinco anos, com renovação automática por mais cinco. “Isso traz estabilidade para o cliente, algo ainda pouco explorado no mercado local”, explicou.

Bruno Mascarenhas, head de Produtos para o Brasil da Olé Life, completa: “Estamos inovando na forma como vendemos e compramos seguro. “Os produtos, em si, são praticamente os mesmos, cobrindo vida, saúde, transporte, residencial etc. O que muda é a forma como trazemos estes produtos. Estamos segurando as pessoas em dólares e oferecendo algo que elas não tinham acesso antes. Nossos clientes não encontram outro produto como o nosso no mercado brasileiro”.

Para a Olé Life, o Brasil representa um dos mercados mais promissores da América Latina. “São mais de 200 milhões de pessoas, com crescimento da cultura de investimento internacional e uma classe média em expansão. É uma oportunidade enorme”, declara Michael. A proposta, segundo ele, vai além da inovação tecnológica. “Nossa missão é simples: proteger mais famílias; a a tecnologia nos permite ampliar o acesso ao seguro de forma eficiente”, conclui o CEO.

Kelly Lubiato, de São Paulo

The post Olé Life oferece seguro de vida em dólar em parceria com Excelsior e Nomad appeared first on Revista Apólice.