Em meio à crescente disputa por profissionais qualificados, o plano de saúde passou a ocupar posição central nas estratégias de atração e retenção de talentos das empresas brasileiras. Mais do que um benefício adicional, tornou-se elemento decisivo na avaliação de propostas de emprego, segundo análise do Grupo AllCross.

De acordo com a rede de corretoras, nos últimos três anos foram comercializados, em média, 10.500 novos contratos empresariais por ano, com média de quatro vidas por CNPJ. O movimento acompanha a expansão do mercado coletivo no país e reforça o vínculo direto entre emprego formal e acesso à saúde suplementar. “Hoje o plano de saúde está no topo da lista de prioridades do trabalhador. Em muitos processos seletivos, ele pesa tanto quanto o salário na tomada de decisão”, afirma Wanderlei Machado, coordenador nacional do Grupo AllCross. “Não se trata apenas de assistência médica, mas de segurança para a família e previsibilidade financeira.”

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) indicam que o segmento de planos coletivos de assistência médica registrou crescimento contínuo entre março de 2023 e dezembro de 2025. No período, foram incorporados 2,93 milhões de beneficiários, expansão acumulada de 7,04%, sem registro de retração trimestral.

O total de vidas passou de 41,7 milhões para 44,6 milhões no intervalo analisado. Apenas entre 2024 e 2025, o acréscimo foi de 1,35 milhão de beneficiários, desempenho superior ao observado no ciclo anterior.

Para Machado, o avanço sinaliza tendência estrutural. “O plano coletivo empresarial acompanha o dinamismo do emprego formal e reforça a percepção das empresas de que oferecer saúde é investir em produtividade e estabilidade das equipes.”

O modelo coletivo permanece como principal vetor de expansão da saúde suplementar no Brasil. A predominância desse formato evidencia a centralidade das empresas no financiamento da assistência privada e indica mudança na cultura corporativa, com maior valorização de políticas de bem-estar. “O plano de saúde passou a ser entendido como ativo estratégico. Ele reduz turnover, fortalece a marca empregadora e melhora o clima organizacional”, afirma Machado.

O segmento também movimenta valores expressivos na economia. O ticket médio mensal gira em torno de R$ 250 por beneficiário em planos de abrangência regional e pode alcançar R$ 450 em produtos de cobertura nacional. Considerando a base atual de beneficiários coletivos, o impacto se estende à cadeia hospitalar, laboratorial e de serviços médicos. “O setor de saúde suplementar tem efeito multiplicador. Ele ativa hospitais, clínicas, laboratórios e profissionais de saúde”, acrescenta.

A consolidação do modelo coletivo em relação ao individual e familiar reforça a dependência do acesso à saúde privada ao mercado de trabalho formal. Para operadoras e corretoras, o cenário é favorável à expansão, desde que acompanhado por gestão eficiente da carteira e políticas de retenção. “Em um cenário de competição por talentos, o plano de saúde deixou de ser diferencial para se tornar requisito básico”, conclui Machado.

Com crescimento consistente e aceleração recente, o mercado de planos coletivos consolida-se como um dos principais indicadores da dinâmica da saúde suplementar e da própria evolução do emprego formal no país.

The post Plano de saúde coletivo avança e vira trunfo por talentos appeared first on Revista Apólice.