A busca por veículos eletrificados seminovos vem ganhando força no Brasil. Pesquisa da Timelens, empresa de inteligência de dados da FutureBrand São Paulo especializada na cultura automotiva, mostra que as conversas nas redes sociais sobre esse segmento cresceram 151,9% nos últimos cinco anos. No mesmo período, as menções a veículos seminovos e usados com motor a combustão avançaram 141,3%.
O levantamento analisou mais de 110 milhões de menções online e aponta que o interesse pela eletrificação começa a avançar também no mercado de segunda mão, em um cenário marcado pelo alto custo dos veículos novos.
Os dados comprovam que tratar a eletrificação no Brasil apenas como uma disputa por lançamentos de carros zero quilômetro não faz sentido. O estudo também revela um movimento silencioso, mas de alto impacto: embora o debate geral sobre usados e seminovos ainda represente uma parcela muito pequena das conversas sobre automóveis nas redes (com apenas 1% e 3% de participação, respectivamente), é dentro desse nicho que a virada está acontecendo.
“Em um cenário de preços distorcidos e alta volatilidade no mercado de novos, o consumidor brasileiro adotou uma postura altamente pragmática. Ele busca acesso e porto seguro no mercado de segunda mão à procura de previsibilidade e melhor relação de custo-benefício”, afirma Filippo Vidal, sócio e diretor da FutureBrand São Paulo.
Ao analisar as tecnologias preferidas nesse mercado secundário, a pesquisa mostra caminhos distintos: os 100% Elétricos (BEVs) concentram o maior volume absoluto de conversas entre os usados e seminovos eletrificados, somando 5.275 menções específicas; já os Híbridos Plug-in (PHEVs) são os responsáveis por puxar o crescimento mais acelerado no segmento, com uma alta expressiva de 187,31% no período analisado. Por fim, os HEV (Híbridos Convencionais) lideram em volume com 199.940 menções , mas apresentam decrescimento de 44,97%, indicando uma possível saturação dos temas relacionados a esta tecnologia.
“As marcas que conseguirem reduzir a percepção de risco, especialmente em torno de bateria, durabilidade e revenda, terão vantagem competitiva na expansão da eletrificação além do mercado de veículos novos”, afirma Filippo.
O avanço dos seminovos eletrificados vem acompanhado de novas e profundas dúvidas por parte dos motoristas. As discussões online são dominadas por receios em torno da durabilidade da bateria, desvalorização acelerada, valor de revenda e o medo da obsolescência tecnológica.
“A eletrificação nos usados e seminovos não depende apenas de desejo ou inovação, mas de segurança percebida. O consumidor não olha apenas para a tecnologia, ele exige confiança a longo prazo. As marcas, concessionárias e plataformas que conseguirem reduzir essa sensação de risco no pós-compra e garantirem o valor de revenda terão a verdadeira vantagem competitiva na próxima etapa da eletrificação no Brasil”, complementa.
O estudo conclui que massificar a transição energética no Brasil dependerá, obrigatoriamente, de tornar a compra de segunda mão mais segura e previsível para o motorista.
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