EXCLUSIVO – Focando em oferecer uma solução de seguro específica para o setor da agricultura familiar, a insurtech Picsel, através do programa EuroClima+, realizou um estudo sobre os mecanismos existentes de gestão de risco agrícola no Brasil e os principais problemas enfrentados por esse mercado. Após essa análise, a empresa gerou um roadmap com ações focadas no desenvolvimento e melhoria dos mecanismos de gestão de riscos para pequenos agricultores, sendo uma dessas medidas o desenvolvimento e teste de viabilidade de um seguro paramétrico voltado para esse público.

O EuroClima+ é o principal programa de cooperação da União Europeia em sustentabilidade ambiental e mudanças climáticas na América Latina. Seu objetivo é reduzir o impacto desses riscos e seus efeitos na região, promovendo a mitigação, adaptação, resiliência e investimento. Para isso, a insurtech irá desenvolver um modelo de seguro específico para os agricultores familiares, por meio de um projeto piloto com cafeicultoras da Amucafé (Associação das Mulheres do Café do Norte Pioneiro do Paraná).

Vitor Ozaki

“Com as dificuldades para acessar linhas de crédito e até mesmo devido à escassez dos recursos, algumas produtoras são obrigadas a arrendarem suas terras a grandes fazendeiros. Com isso, aos poucos a cafeicultura, principalmente do Norte Pioneiro do Paraná, que é tão importante para manter a renda das famílias da região e seus arredores, vai ficando enfraquecida. Além disso, o clima tem sido muito complexo para todas elas, por sua instabilidade nos últimos anos. Portanto, contar com a proteção do seguro paramétrico dará mais tranquilidade às cafeicultoras”, afirma Vitor Ozaki, CEO da Picsel.

Segundo o executivo, neste primeiro momento serão desenhados produtos de seguro paramétrico com coberturas para eventos de seca e de geada. Na fase piloto do projeto, a plataforma da insurtech vai fazer simulações da operação, desde a contratação até a gestão dos sinistros. Ozaki ainda diz que, existindo uma sustentação financeira na carteira e interesse por parte das cafeicultoras, o produto desenvolvido no piloto será comercializado. “Nosso sistema permite a fácil digitalização e georreferenciamento da área segurada, um dos grandes problemas enfrentados pelo mercado atualmente. Após esse processo inicial, entram em ação os algoritmos proprietários da Picsel que, à partir do cruzamento de bases de dados relativas ao clima, solo, genética, satélites permitem a identificação do perfil de risco e precificação de cada área”.

De acordo com o último Censo Agropecuário, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a agricultura familiar representa 77% dos estabelecimentos agrícolas do Brasil e 67% do total de trabalhadores ocupados na agropecuária, abrangendo quase 80,9 milhões de hectares. “A proteção trazida pelo mercado segurador é de suma importância, pois garante uma maior estabilidade de renda e continuidade desses produtores na atividade, aumentando a segurança alimentar do país como um todo”, reforça Ozaki.

Para o CEO da Picsel, a utilização de tecnologia é uma das principais ferramentas que as seguradoras podem utilizar visando atrair os pequenos agricultores. “A redução de custo pelo uso de tecnologia, seja na maior eficiência operacional, quanto na possibilidade da criação de produtos inovadores que estruturalmente tenham um custo menor, irá facilitar o acesso ao seguro por esta parcela de produtores”. Ele ainda ressalta que o seguro paramétrico deve ser desenvolvido com foco em mercados que possam ter maior eficiência na mitigação do risco, complementando os demais produtos já comercializados pelo mercado segurador.

O projeto da insurtech prevê quatro entregas, que serão acompanhadas pela Agência Alemã de Cooperação Internacional Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), e precisam ser realizadas ao longo dos próximos 12 meses.

Nicole Fraga
Revista Apólice

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