O aumento da exposição das empresas a eventos climáticos extremos, interrupções operacionais e disputas judiciais tem ampliado o papel do seguro empresarial na estratégia de gestão de riscos das organizações. Antes concentrada na proteção de imóveis, máquinas e equipamentos, a contratação de seguros passa a incorporar coberturas voltadas à continuidade dos negócios e à mitigação de perdas financeiras.
Apesar desse cenário, a cultura da prevenção ainda avança de forma gradual entre os empreendedores brasileiros. Pesquisa da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) aponta que apenas 26,7% dos empresários consideram contratar uma apólice ainda na fase de planejamento do negócio, enquanto mais de 70% iniciam suas atividades sem qualquer cobertura. O levantamento também indica que a baixa percepção dos riscos e as restrições financeiras permanecem entre os principais obstáculos à contratação.
Segundo Gustavo Zanon, CEO da Seguralta, essa postura faz com que muitos empresários percebam a importância da proteção apenas após enfrentar um evento que comprometa a operação.
“O seguro empresarial não deve ser encarado como um custo, mas como uma ferramenta de gestão. O empreendedor investe anos para construir seu negócio e, muitas vezes, um único imprevisto pode colocar tudo isso em risco. Quando a proteção faz parte do planejamento da empresa, ela garante condições para que a operação continue funcionando mesmo diante de situações inesperadas”.
De acordo com a Seguralta, o conceito de risco corporativo se tornou mais amplo nos últimos anos. Além de incêndios e roubos, empresas passaram a enfrentar impactos relacionados a eventos climáticos, falhas elétricas, interrupções operacionais, ações judiciais e outras ocorrências capazes de gerar prejuízos financeiros.
Esse cenário também impulsionou a evolução das coberturas disponíveis. Atualmente, uma única apólice pode reunir proteção para patrimônio, mercadorias, equipamentos, responsabilidade civil, lucros cessantes, danos elétricos, quebra de máquinas e outras coberturas adaptadas ao perfil de cada empresa.
Segundo Zanon, essa personalização acompanha as diferentes necessidades dos negócios. “Cada organização possui características, desafios e exposições diferentes. O papel do seguro é justamente acompanhar essa realidade, oferecendo soluções compatíveis com o porte, o segmento e as necessidades específicas de cada negócio”.
O levantamento da CNseg também mostra que 88,2% dos empresários associam o seguro à valorização da empresa e de seus colaboradores, enquanto 83,6% acreditam que a contratação contribui para uma gestão mais previsível.
Na avaliação do executivo, o desafio está em transformar essa percepção em uma prática incorporada ao planejamento empresarial. “O empresário brasileiro já reconhece a importância da gestão de riscos. O próximo passo é incorporar essa cultura ao planejamento estratégico. Empresas que investem em prevenção respondem com mais rapidez às adversidades, preservam patrimônio, mantêm a confiança dos clientes e fortalecem sua sustentabilidade no longo prazo”, destaca.
Especialistas avaliam que, à medida que os riscos corporativos se tornam mais complexos e menos previsíveis, o seguro empresarial tende a ocupar um papel cada vez mais estratégico nas organizações, contribuindo não apenas para a proteção patrimonial, mas também para a continuidade operacional e a estabilidade financeira.
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