Em um ambiente corporativo marcado pelo avanço da inteligência artificial (IA) e pela crescente incorporação de práticas ESG (Ambiental, Social e Governança), temas como integridade, compliance e governança corporativa vêm ganhando espaço nas estratégias das empresas. Especialistas apontam que esses fatores passaram a exercer influência direta sobre reputação, gestão de riscos e sustentabilidade dos negócios.
Levantamento do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), intitulado Perspectiva de Negócios e Governança Corporativa 2026, mostra que o fortalecimento do capital humano figura entre as principais prioridades para a evolução da governança nas organizações. Segundo o estudo, embora a tecnologia contribua para ganhos de eficiência, a formação de uma cultura organizacional baseada em princípios éticos continua sendo um dos principais desafios das empresas.
Para Fernanda Romero, advogada e especialista em Governança Corporativa, Compliance e ESG, a consolidação de uma cultura de integridade influencia diretamente o ambiente organizacional.
“Quando existe uma conduta ética sólida, fomentada como princípio básico, isso nivela o conhecimento, favorece a empresa de maneira geral e constrói um ambiente justo e íntegro. Quem se sente visto, respeitado, reconhecido e acolhido, se sente seguro. Logo, o resultado se apresenta no trabalho do dia-a-dia, desde a realização do colaborador, a satisfação do cliente e aos indicadores positivos”, esclarece Romero.
O tema também aparece entre as prioridades das empresas brasileiras. De acordo com a pesquisa ESG Latin America Landscape, 85% das organizações no país consideram o avanço da governança corporativa e da gestão de riscos ESG uma prioridade para 2026.
Nesse contexto, especialistas defendem que a adoção de boas práticas depende do comprometimento das lideranças. Além da implementação de políticas e processos, a atuação dos gestores é apontada como fator relevante para fortalecer a cultura organizacional, estimular a ética e incentivar mecanismos de prevenção e reporte de irregularidades.
“O mercado não tolera mais engajamento fake. As iniciativas precisam ser reais e com evidências. A governança é a estratégia e o compromisso de longevidade para marcas que desejam ter sucesso”, complementa Fernanda.
Segundo a especialista, programas contínuos de comunicação interna e capacitação também contribuem para disseminar conceitos de governança, compliance e ESG entre colaboradores.
Ela ressalta ainda que essas práticas não se restringem às grandes empresas. Organizações de diferentes portes podem adotar estruturas voltadas à integridade, gestão de riscos e governança como forma de fortalecer sua atuação e gerar valor para clientes, colaboradores e demais públicos de relacionamento.
Na avaliação de Romero, embora a tecnologia desempenhe papel crescente na transformação dos negócios, fatores ligados às relações humanas continuam sendo essenciais para o desenvolvimento das organizações.
“A capacidade de sentir, conectar-se e cuidar do próximo é intrínseca ao ser humano e representa um diferencial competitivo. Enxergar, capacitar e acolher os profissionais é um ativo valioso para as empresas que compreendem que a tecnologia é uma aliada, mas o verdadeiro motor do processo é o trabalho realizado por equipes engajadas e valorizadas.”
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