EXCLUSIVO – O seguro de vida há muito tempo deixou de ser um produto utilizado apenas com a cobertura para morte. Ele passa a ocupar um espaço no planejamento financeiro das famílias, seja do ponto de vista de preparação para planos sucessórios ou para compensação em casos de problemas de saúde.
Na avaliação de Luciana Bastos, diretora de Produtos de Vida da Icatu Seguros, o consumidor passou a buscar uma proteção mais próxima dos riscos concretos do cotidiano. “Observamos uma mudança importante na forma como as pessoas enxergam proteção financeira. O consumidor passou a buscar soluções que ofereçam suporte não apenas para a família em caso de morte, mas também para situações que podem acontecer ao longo da vida, como doenças graves, acidentes ou afastamentos do trabalho”, afirma.
O movimento aparece de forma clara na carteira da companhia. A cobertura de Doenças Graves tornou-se a segunda mais contratada da Icatu Seguros. Em 2022, ela estava presente em 58% dos seguros. Hoje, representa uma das principais escolhas dos clientes, sinalizando uma mudança no entendimento sobre a função do seguro de vida.
“Esse crescimento reflete uma mudança importante na percepção do consumidor sobre o papel do seguro de vida. As pessoas passaram a entender que uma doença grave não gera apenas um desafio de saúde, mas também impactos financeiros relevantes, seja pela necessidade de tratamentos, adaptações na rotina ou eventual redução da capacidade de gerar renda”, explica Luciana.
A executiva diz que o seguro de vida vem assumindo um papel mais estratégico dentro do planejamento financeiro familiar. Além da proteção sucessória, o produto passa a ser visto como instrumento de preservação de renda, proteção patrimonial e apoio financeiro diante de eventos inesperados.
Na Icatu, a carteira cresce cerca de 20% ao ano, acompanhando a expansão do mercado e a maior demanda por soluções de proteção. Ainda assim, Luciana avalia que o Brasil tem espaço relevante para avançar. “Embora a conscientização esteja aumentando, a penetração do seguro de vida no Brasil ainda é relativamente baixa quando comparada ao potencial do mercado. Isso reforça a importância da educação financeira e de ampliar o entendimento do seguro”, pontua.
O tabu em torno do tema também começa a ser enfrentado de forma mais direta. Segundo pesquisa realizada pela Icatu, em parceria com a Conversion, sobre vida e finitude, 67% dos brasileiros afirmam pensar na morte com alguma frequência, mas apenas uma parcela pequena transforma essa reflexão em planejamento efetivo.
Para Luciana, um dos principais mitos ainda é a ideia de que o seguro de vida serve apenas para situações de morte. “Ele pode oferecer suporte financeiro em vida, ajudando a proteger renda, patrimônio e qualidade de vida em momentos desafiadores”, destaca.
A cobertura de Doenças Graves é um exemplo dessa mudança. O interesse dos segurados está ligado não apenas ao diagnóstico médico, mas também aos impactos financeiros que uma doença pode provocar. Tratamentos prolongados, afastamento das atividades profissionais, adaptação da rotina e necessidade de complementar recursos estão entre as preocupações mais frequentes.
“As duas dimensões estão diretamente conectadas. Um problema de saúde já traz naturalmente desafios físicos e emocionais para o segurado e sua família. Quando esse cenário vem acompanhado de impactos financeiros, como redução da renda ou aumento de despesas, a situação se torna ainda mais complexa”, observa.
Na prática, quando ocorre um evento coberto em contrato e devidamente comprovado, o segurado recebe a indenização prevista para aquela cobertura. O valor pode ser usado conforme a necessidade da pessoa, sem vinculação obrigatória a um tipo específico de despesa.
“Isso significa mais flexibilidade para lidar com custos médicos, reorganizar as finanças da família, complementar renda ou adaptar a rotina durante um período de maior vulnerabilidade”, afirma Luciana.
Segundo ela, as situações mais recorrentes envolvem tratamentos médicos complexos, períodos de afastamento profissional e recuperação após acidentes. Nesses casos, a indenização funciona como uma rede de proteção financeira para evitar que o segurado precise comprometer patrimônio, interromper projetos ou tomar decisões emergenciais.
Outro dado que chama atenção é a adesão das gerações mais jovens às coberturas em vida. Entre os Millennials, as coberturas mais contratadas na Icatu são: Invalidez Parcial por Acidente, presente em 81% dos seguros, e Doenças Graves, com 72%. Na Geração Z, os percentuais chegam a 88% e 81%, respectivamente.
“Isso mostra que essas gerações estão buscando uma proteção mais conectada aos desafios do presente. Existe uma preocupação crescente com a preservação da renda, a continuidade dos projetos de vida e a capacidade de enfrentar imprevistos sem comprometer a estabilidade financeira”, esclarece.
Para Luciana, o interesse dos mais jovens não chega a ser uma surpresa, mas confirma uma transformação em curso. As novas gerações cresceram em um ambiente de maior acesso à informação e tendem a falar de planejamento financeiro, saúde e bem-estar com mais naturalidade. Isso reduz a distância entre o seguro de vida e as necessidades concretas da jornada financeira.
A comunicação do setor também mudou. Em vez de concentrar a mensagem apenas em eventos extremos, as seguradoras passaram a destacar os benefícios em vida e o papel do seguro dentro do planejamento financeiro. “Na Icatu, buscamos traduzir o seguro para situações reais do cotidiano, tornando a conversa mais próxima das necessidades e preocupações atuais das pessoas”, afirma Luciana
Novas coberturas
Essa mudança de comportamento também influencia o desenho dos produtos. Segundo Luciana, a evolução do consumidor impulsiona soluções mais aderentes às diferentes realidades familiares e aos novos arranjos sociais. Um exemplo é a cobertura para morte dos pais, voltada a pessoas que fazem parte da chamada geração sanduíche, com responsabilidades simultâneas em relação aos filhos e aos pais idosos.
Ao mesmo tempo, o seguro de vida passa a incorporar serviços complementares de saúde, conveniência e bem-estar. A Icatu oferece benefícios e assistências como telemedicina, assistência domiciliar, assistência saúde e seguro-viagem. “A tendência é que o conceito de proteção continue se tornando cada vez mais amplo e conectado às necessidades do dia a dia das pessoas”, pondera.
A personalização também deve ganhar força. Com o apoio de tecnologia, inteligência artificial e modelos avançados de análise de dados, as seguradoras conseguem avaliar riscos de forma mais ágil e desenvolver produtos mais próximos do perfil de cada cliente.
“Atualmente, a cobertura de Invalidez por Acidente está presente em 77% dos seguros individuais contratados e a de Doenças Graves em 62%, indicando uma forte demanda por proteção financeira em vida”, afirma Luciana.
Na visão da executiva, o avanço da longevidade e a pressão sobre os sistemas públicos de saúde e previdência reforçam a importância do seguro como complemento às estratégias de proteção financeira das famílias brasileiras. Quanto maior a expectativa de vida, maior tende a ser a necessidade de lidar com riscos relacionados à saúde, à renda e à preservação patrimonial.
A Icatu informa proteger, em média, mais de 450 mil pessoas por mês com seguro de vida. Em 2025, a companhia pagou R$ 1,8 bilhão em indenizações, o equivalente a cerca de R$ 4,9 milhões por dia.
Para seguradoras, corretores e distribuidores, essa transformação abre espaço para uma atuação mais consultiva. À medida que o seguro de vida deixa de ser entendido apenas como um produto associado à morte, cresce a necessidade de orientação sobre proteção, gestão de riscos e planejamento financeiro de longo prazo.
“A principal oportunidade está em ampliar a conscientização sobre proteção financeira e construir relações mais consultivas com os clientes. Esse movimento fortalece o papel de seguradoras, corretores e assessores de investimento como parceiros de planejamento financeiro”, avalia Luciana.
A tendência, segundo ela, é que nos próximos anos o consumidor brasileiro enxergue o seguro de vida de forma mais ampla, como ferramenta de proteção patrimonial, preservação de renda e apoio financeiro ao longo da vida.
“O seguro de vida está deixando de ser visto apenas como proteção para a morte e se consolidando como uma ferramenta de proteção financeira para toda a vida”, resume.
*Matéria originalmente publicada na Edição #320 da Revista Apólice.
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