EXCLUSIVO – Um evento diferente, voltado para mulheres que buscam letramento digital dentro do mercado de seguros, foi promovido hoje pelo IDIS – Instituto pela Diversidade e Inclusão no Setor de Seguros, no escritório de advocacia Mattos Filho.

As aplicações da Inteligência Artificial foi um dos temas principais do painel de Letramento Digital & Impacto de Negócios. O seu avanço ampliou o debate sobre inclusão de mulheres no empreendedorismo e no mercado de tecnologia. Durante o painel, executivas destacaram que o acesso à tecnologia e à capacitação será determinante para reduzir desigualdades econômicas e ampliar oportunidades de geração de renda.  Ela oferece oportunidades, mas riscos também.

Tânia Consentino, conselheira independente e ex-presidente da Microsoft, afirmou que o letramento digital precisa alcançar um número maior de brasileiros para que a tecnologia se torne um instrumento efetivo de transformação econômica e social. Segundo ela, embora mulheres e homens empreendam em proporções semelhantes no Brasil, ainda existe uma diferença importante no impacto econômico dos negócios liderados por mulheres.

“Os homens estão criando startups tecnológicas, criando negócios que movimentam mais a economia e trazem mais renda. Trazer o empreendimento digital para mulheres e para todos os públicos socioeconômicos permite que essas mulheres criem empresas que possam ir mais longe, gerar mais renda e trazer desenvolvimento econômico”, pontuou.  Ela também destacou que o desafio atual não está necessariamente na formação de desenvolvedoras, mas na criação de profissionais capazes de utilizar ferramentas de inteligência artificial de forma estratégica e crítica.

“IA é ferramenta, ela não é a solução de todos os problemas. O profissional que não dominar a IA vai ser prejudicado no mercado”, disse. A executiva reforçou ainda que existem treinamentos gratuitos disponíveis e que o conhecimento sobre uso de IA será um diferencial competitivo nos próximos anos.  

A ex-CEO da BNP Paribas Cardif Sheynna Hakim, falou sobre barreiras culturais e acesso à tecnologia. Durante a conversa, ela chamou atenção para a percepção de que áreas ligadas à tecnologia ainda são vistas como distantes para parte da população, especialmente para mulheres. Segundo a executiva, o desafio passa também pela quebra de estereótipos relacionados às profissões tecnológicas e pela ampliação do acesso ao conhecimento digital.  

Ela aconselha as mulheres do mercado de seguros que querem começar a entender um pouco de Inteligência Artificial a se atentarem a dois pontos: “é uma oportunidade enorme para você que usa, mas, por outro lado, é um grande risco do ponto de vista de crimes cibernéticos, que já estão em torno de US$ 10 trilhões no mundo. Conheçam, usam e entendam as oportunidades e os riscos”.

Sheynna continua: “use primeiro na sua casa, com coisas simples, como planejamento de viagens ou apresentações escolares. Isso não coloca sua empresa em risco para o seu letramento. Dentro das regras da sua empresa, você levar a discussão sobre novas forma de utilização da IA que possam trazer rentabilidade para o negócio”.

A Head of Brazil da McFee, Flávia Elizalde, destacou que muitas pessoas ainda associam tecnologia exclusivamente à programação, o que acaba criando barreiras para profissionais de diferentes áreas ingressarem no setor. “Trabalhar em tecnologia não é apenas ser programador. Você precisa de designer, especialista em usabilidade, profissionais de texto, estatística e diversas outras competências”, avisou.  

Ela ressaltou ainda que o mercado enfrenta escassez global de profissionais ligados à tecnologia e que a demanda continuará crescendo nos próximos anos. Para Flávia, ampliar o letramento digital significa também mostrar que existem diferentes caminhos de atuação dentro do ecossistema tecnológico.

“A questão do letramento passa justamente por aí. Existe uma barreira natural porque as pessoas acham que precisam ser extremamente técnicas. Falta mostrar que é possível chegar lá”, concluiu.  Ela ponderou que a IA é uma ferramenta de tecnologia, poderosa e indispensável. “Ela via ser tão simples quanto a eletricidade. É preciso ter segurança, assim como em todos os ambientes digitais”.

Um dos maiores cuidados é com o compartilhamento de dados sigilosos das empresas, que pode colocar em risco a sua operação. Flavia aconselha: desconfie de tudo e não clique em links recebidos em qualquer plataforma

Kelly Lubiato

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