A maior frequência de eventos climáticos extremos no Brasil vem acelerando mudanças na forma como seguradoras avaliam riscos, desenvolvem produtos e precificam apólices. Diante de um cenário de maior imprevisibilidade, o setor tem ampliado o uso de tecnologias como sensoriamento remoto, análise preditiva e inteligência de dados para tornar as coberturas mais aderentes às características de cada cliente e região.
Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), quase todos os municípios brasileiros registraram algum tipo de desastre ambiental nos últimos 13 anos. No período, os eventos deixaram mais de 3 mil mortes e prejuízos econômicos superiores a R$ 732 bilhões.
O avanço desses eventos também amplia a discussão sobre prevenção e resiliência. Dados divulgados recentemente pela Confederação Nacional de Seguradoras (CNseg) mostram que, entre 2019 e 2024, o Brasil gastou quase dez vezes mais com resposta e reconstrução após desastres climáticos do que com ações preventivas: foram R$ 23,3 bilhões destinados ao enfrentamento de emergências, contra R$ 2,4 bilhões investidos em prevenção e preparação.
Na BB Seguros, esse cenário vem acelerando o desenvolvimento de soluções apoiadas em sensoriamento remoto, modelos preditivos, leitura hiperlocal de dados climáticos e precificação dinâmica. A estratégia busca ampliar a capacidade de adaptação do seguro diante de um ambiente mais instável, especialmente em um país continental e de alta diversidade como o Brasil.
O seguro sempre trabalhou com risco, mas o que muda agora é a velocidade das transformações e o aumento da imprevisibilidade. Atualmente, não existe mais um produto padronizado capaz de atender diferentes realidades da mesma forma. O risco passou a ser muito mais individualizado, exigindo modelos mais inteligentes, flexíveis e personalizados.
Na analise do Diretor Técnico da Brasilseg, Juan Carlos Lanau, o avanço da tecnologia e da capacidade analítica vem permitindo uma leitura mais detalhada das condições climáticas, produtivas e operacionais de cada região e, em alguns casos, de áreas específicas dentro do mesmo município. O objetivo é tornar a relação entre risco, proteção e preço mais equilibrada e aderente à realidade de cada cliente.
“Hoje, a precificação já não funciona mais com modelos estáticos ou generalistas. A evolução do seguro passa pela personalização e pela capacidade de entender características específicas daquele contexto, daquele território e daquela operação. Em muitos casos, regiões próximas podem apresentar níveis de exposição completamente diferentes a enchentes, períodos de seca, incêndios, interrupções operacionais ou oscilações climáticas”, explica.
Esse movimento também amplia a relevância de modelos de subscrição dinâmica, capazes de incorporar novas variáveis climáticas, econômicas e operacionais ao longo do tempo. Além dos impactos diretos da seca, do excesso de chuvas e de outros eventos extremos, fatores como pressão sobre infraestrutura urbana, interrupções logísticas, oscilações econômicas e mudanças no comportamento climático das diferentes regiões do país passaram a influenciar cada vez mais a lógica de proteção financeira e análise de risco.
Na avaliação da BB Seguros, a combinação entre tecnologia, inteligência de dados e diversificação geográfica tende a ganhar ainda mais relevância nos próximos anos como forma de fortalecer a resiliência do setor diante do avanço dos eventos extremos. Nesse contexto, a sustentabilidade do mercado de seguros passa também pela construção de modelos mais equilibrados e capazes de manter a proteção financeiramente viável no longo prazo, tanto para quem contrata quanto para quem opera o sistema, em um ambiente climático e econômico cada vez mais complexo.
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