O lucro líquido das operadoras de planos médico-hospitalares caiu cerca de 12% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado passou de aproximadamente R$ 12,4 bilhões para R$ 10,9 bilhões, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
O desempenho ocorre depois da recuperação registrada pelo segmento nos últimos anos e vem acompanhado de piora em indicadores operacionais. A sinistralidade das operadoras médico-hospitalares chegou a 81,9%, avanço de 0,8 ponto percentual sobre o primeiro semestre de 2025.
Na avaliação da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), os números indicam desaceleração do movimento de recuperação observado principalmente em 2025. “Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram uma queda relevante de 12,2% no resultado líquido, puxada pela retração dos resultados operacionais das operadoras. Essa redução indica que a recuperação do setor ocorrida em 2025 começa a perder força”, afirma Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde.
Segundo os cálculos apresentados pela entidade, a margem operacional recuou de 3,9% para 3,2%, enquanto a margem líquida passou de 7,7% para 6,2% no período.
A ANS informou que as operadoras médico-hospitalares registraram resultado operacional agregado positivo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre. O indicador considera a atividade propriamente dita dos planos, descontando das receitas despesas assistenciais, administrativas, comerciais e outros gastos operacionais.
Já os ganhos financeiros seguem tendo participação relevante no resultado das empresas. Ao fim de junho, as aplicações financeiras das operadoras médico-hospitalares somavam R$ 142,4 bilhões. Segundo a ANS, o resultado financeiro alcançou R$ 7,5 bilhões, o maior valor nominal da série histórica.
Para a FenaSaúde, essa composição reforça a pressão sobre a atividade principal das operadoras.
“Com a sinistralidade do setor frequentemente superior a 80% e margens tão apertadas, precisamos evitar custos que não agreguem valor aos beneficiários. É fundamental construir um ambiente de incorporação tecnológica cada vez mais baseado em evidências, além de atuar diariamente no combate rigoroso às fraudes e aos desperdícios”, afirma Sobral.
A entidade também cita estudo da LCA Consultoria segundo o qual, entre 2010 e 2025, a margem líquida média do setor foi de 3,5%, enquanto a margem operacional média ficou em 0,6% quando desconsiderados os resultados financeiros.
Sinistralidade sobe para 81,9%
A sinistralidade dos planos médico-hospitalares chegou a 81,9% entre janeiro e junho, ante 81,1% no mesmo período de 2025. Na prática, o indicador mostra a parcela das receitas assistenciais destinada ao pagamento de despesas com atendimento aos beneficiários.
A ANS ressalta, porém, que a alta no semestre foi influenciada por fatores atípicos, entre eles o reconhecimento de uma provisão técnica voluntária por uma das maiores operadoras do mercado e o aporte de recursos pelo mantenedor de uma autogestão. Mesmo com o avanço, o índice foi o segundo menor registrado desde 2020.
Os dados indicam ainda que 76,2% das entidades reguladas pela Agência — 596 ao todo — fecharam o primeiro semestre no azul, proporção semelhante à registrada um ano antes.
Quando são consideradas também as operadoras exclusivamente odontológicas e as administradoras de benefícios, o setor de saúde suplementar registrou R$ 206,3 bilhões em receitas totais e lucro líquido de R$ 12,1 bilhões no primeiro semestre.
O resultado ficou abaixo dos R$ 12,9 bilhões registrados entre janeiro e junho de 2025, até então o maior valor nominal da série histórica. A retração do resultado consolidado foi de aproximadamente 6,2%.
Para a FenaSaúde, a combinação entre desaceleração dos resultados operacionais, aumento da sinistralidade e pressão das despesas mantém a sustentabilidade econômico-financeira entre os principais desafios do segmento.
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