EXCLUSIVO – A transformação digital deixou de ser um tema restrito às áreas de tecnologia e passou a ocupar posição estratégica dentro das seguradoras. A avaliação é de executivos do setor que defendem uma integração cada vez maior entre tecnologia, inteligência artificial e conhecimento de negócio para ampliar eficiência operacional, escala e capacidade de subscrição no mercado corporativo. Eles participaram do almoço realizado pela Trinca, em São Paulo, para debater como a transformação digital, com destaque para a Inteligência Artificial, está agilizando processos e melhorando a subscrição dos riscos.
Durante palestra realizada por Clayton Palandrani, CIO & COO da Mitsui Sumitomo, ficou claro que a tecnologia passou a atuar de forma mais ativa dentro das organizações, deixando de responder apenas às demandas das áreas de negócios para assumir também um papel de proposição de soluções. Segundo Clayton, hoje a área de tecnologia consegue atuar de maneira transversal nos níveis estratégico, tático e operacional das companhias.
De acordo com ele, um dos principais desafios enfrentados em sua seguradora estava relacionado ao excesso de demandas nas áreas corporativas, especialmente em linhas como garantia, transportes e responsabilidade civil. A limitação operacional acabava reduzindo a capacidade de entrega da companhia. “Às vezes apenas 30% ou 40% das demandas recebidas conseguiam ser efetivamente entregues”, afirmaram.
O diagnóstico levou a Mitsui a revisar processos e adotar uma estratégia mais agressiva de digitalização. A proposta passou a ser direcionar parte dos negócios de menor complexidade para plataformas digitais, liberando as equipes especializadas para operações mais estruturadas e riscos complexos.
Segundo o executivo, o movimento incluiu a criação de soluções digitais para distribuição de produtos corporativos, com foco em experiência do corretor, autonomia operacional e inteligência de subscrição. A companhia passou a operar parte relevante de suas linhas por meio de esteiras digitais, incluindo produtos empresariais, transportes e responsabilidade civil.
“A estratégia permitiu transferir para o ambiente digital cerca de 60% a 70% das demandas recebidas, enquanto os casos mais complexos permanecem sob análise especializada das equipes técnicas. Os 30% restantes são utilizados para entregar valor”, destacou.
Na avaliação do executivo, a digitalização deixou de ser apenas um canal complementar e passou a representar infraestrutura essencial para ganho de escala no setor. Entretanto, ele alertou que as seguradoras que não acompanharem o avanço da inteligência artificial e da automação poderão perder competitividade nos próximos anos.
O uso da inteligência artificial também já vem sendo aplicado nas áreas corporativas da companhia. Segundo Clayton, ferramentas de IA passaram a processar previamente informações recebidas pela seguradoras priorizando riscos, analisando perfil das operações e organizando informações para apoiar o trabalho dos subscritores. “Os resultados já aparecem nos indicadores operacionais. Em um ano, a companhia dobrou sua capacidade de entrega de cotações e ampliou a conversão de negócios”, comemorou o CIO.
Para Artur Willig, sócio e diretor Comercial da Trinca, avaliou que as empresas mudaram e passaram a ter que ter a tecnologia dentro de casa, “deixando de atuar de forma estanque para um modelo dinâmico. Com o uso da IA, podemos incorporar algumas mudanças que estão na ponta, transformando-as em mudanças corporativas robustas com segurança e compliance. São questões que nos obrigam a olhar para soluções escaláveis”.
“O principal desafio atual para as empresas é estarem preparadas para incorporar a IA, no sentido de infraestrutura e arquitetura de dados. Muitas empresas talvez não saibam mas podem estar distantes de colher os benefícios do uso da IA. O custo aumenta, mas o resultado não aparece”, comentou Gustavo Mayer, COO e co-fundador da Trinca. Ele acrescenta que há também a barreira cultural, porque as pessoas estão perdendo a oportunidade de ter um letramento digital em um momento em que todo está tentando entender e se adaptar ao uso da IA. Para ele, é preciso criar um espaço de experimentação dentro das empresas.
Kelly Lubiato
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