EXCLUSIVO – Há dez anos, falar sobre seguros corporativos significava separar os riscos em diferentes caixas. Property, responsabilidade civil, transportes, garantia e pessoas eram analisados em suas respectivas verticais e a contratação buscava encontrar a cobertura adequada para cada uma delas. Essa lógica não desapareceu, mas já não consegue explicar sozinha as exposições enfrentadas pelas empresas.
Para x, a transformação mais importante ocorrida entre 2016 e 2026 foi justamente a mudança no conceito de risco. As exposições se tornaram interdependentes e passaram a exigir uma análise que ultrapassa os limites tradicionais das apólices.
“Um ataque cibernético, por exemplo, pode interromper uma operação industrial, afetar fornecedores, provocar perda de receita, gerar responsabilidade perante terceiros e desencadear uma crise reputacional. Um evento climático ocorrido em outro continente pode comprometer a produção de uma companhia brasileira pela interrupção do fornecimento de um componente estratégico”, ressalta Stephanie.
A mudança também foi impulsionada pela quantidade e pela qualidade das informações disponíveis. Dados georreferenciados, históricos climáticos, informações financeiras, concentração geográfica de ativos, dependência de fornecedores, exposição cibernética, sinistralidade e benchmarks setoriais permitem hoje uma leitura muito mais detalhada das operações. Ela aponta: “ao mesmo tempo, inteligência artificial, modelos preditivos e capacidade de processamento de grandes volumes de dados reduziram a dependência de análises predominantemente retrospectivas”.
A disponibilidade de informação, entretanto, não resolve sozinha o problema. “Ter mais dados não significa necessariamente compreender melhor o risco. O verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar informação em decisão”, pondera a executiva.
É nesse ponto que, segundo ela, a especialização da corretora ganhou importância. Para dimensionar uma exposição não basta identificar ativos e probabilidades. É necessário conhecer o setor, a estrutura financeira e operacional da companhia, sua estratégia e, principalmente, quais eventos podem comprometer seus objetivos.
Na Wiz Corporate, essa mudança levou a investimentos em ferramentas de gestão, inteligência de carteira, acompanhamento das operações e automação de processos. Mas Stephanie considera que uma das principais transformações ocorreu no próprio modelo de atendimento.
Da intermediação à gestão de riscos
A colocação de riscos e a negociação de condições continuam sendo atribuições essenciais da corretora, mas passaram a representar apenas uma parte do trabalho. O cliente corporativo espera que seu parceiro conheça o negócio, acompanhe mudanças regulatórias e de mercado, antecipe problemas, avalie continuamente a adequação dos limites contratados e apresente alternativas antes que uma exposição resulte em perda.
“A pergunta deixou de ser simplesmente ‘quanto custa o seguro?’ e passou a ser ‘quanto risco eu tenho, quanto consigo reter e quanto preciso transferir?’”, avisa Stephanie.
A mudança aproxima o seguro da gestão de capital. A apólice passa a ser uma das ferramentas utilizadas para administrar a exposição da companhia, ao lado de prevenção, retenção e outros mecanismos de financiamento e transferência de riscos.
*Matéria originalmente publicada na edição 322 da Revista Apólice.
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