O mercado de Capitalização arrecadou R$ 15,57 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda nominal de 7,84% em relação ao mesmo período do ano passado. Descontada a inflação, a retração chegou a 11,64%, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Apesar da redução no resultado agregado, algumas modalidades avançaram no período. De acordo com análise da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap), o Instrumento de Garantia arrecadou R$ 2,14 bilhões, crescimento de 15%, enquanto a modalidade Incentivo movimentou R$ 670 milhões, alta de 22,1%.

Somadas, as duas modalidades responderam por cerca de 18% da arrecadação do segmento no semestre. O Instrumento de Garantia permite utilizar o saldo de capitalização para assegurar o cumprimento de uma obrigação prevista em contrato, podendo ser aplicado, por exemplo, em relações de locação e outros contratos públicos ou privados. Já a modalidade Incentivo é utilizada em promoções comerciais estruturadas por empresas, nas quais os consumidores participam de sorteios vinculados aos títulos.

Mesmo com o crescimento das modalidades voltadas a empresas, a Tradicional continua concentrando a maior parcela da Capitalização. A categoria movimentou R$ 11 bilhões entre janeiro e junho, o equivalente a 70,6% de toda a arrecadação.

A modalidade tem como característica a formação de um capital a ser resgatado pelo titular ao fim da vigência, observadas as condições do produto. A Susep ressalta, porém, que Título de Capitalização não equivale a uma aplicação em poupança ou outro investimento financeiro, uma vez que parte dos pagamentos pode ser destinada a despesas administrativas e sorteios.

A modalidade Popular também apresentou crescimento. A arrecadação chegou a R$ 200 milhões, alta de 15,9% em relação ao primeiro semestre do ano passado.

Na Filantropia Premiável, foram movimentados R$ 1,56 bilhão, aproximadamente 10% da arrecadação total do setor. Segundo a FenaCap, cerca de R$ 740 milhões foram destinados a entidades beneficentes no período. Nessa modalidade, o consumidor participa de sorteios e pode ceder a uma entidade beneficente de assistência social o direito de resgate do saldo capitalizado, conforme as regras do produto.

Provisões chegam a R$ 44,57 bilhões

As provisões técnicas das empresas de Capitalização somaram R$ 44,57 bilhões em junho, crescimento nominal de 2,71% sobre o mesmo mês de 2025. Esses recursos são constituídos pelas companhias para fazer frente aos compromissos assumidos com os titulares. A FenaCap informa ainda que os resgates chegaram a R$ 13,09 bilhões no primeiro semestre, alta de 7%.

No conceito utilizado pelo Boletim Susep, que reúne resgates e sorteios, foram movimentados R$ 13,94 bilhões no período, crescimento nominal de 5,26% e real de 0,89%.

Embora algumas modalidades estejam avançando, o resultado consolidado mostra um primeiro semestre de retração para o segmento. Em 2025, a Capitalização havia arrecadado R$ 16,89 bilhões no mesmo período.

Os dados mais recentes da Susep mostram que essa tendência permaneceu em julho. Nos sete primeiros meses de 2026, a Capitalização acumulou R$ 18,37 bilhões em receitas, queda nominal de 7,35% e real de 11,21% na comparação anual.

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