A Aon revela em sua décima edição da Pesquisa Global de Gestão de Riscos, que a Interrupção de Negócios ocupa o 1º lugar no ranking de riscos corporativos no país, seguido pelo risco de Preço de Commodities e Escassez de Materiais. O levantamento ainda destaca que o Brasil, assim como outros países da América Latina com forte base exportadora (como Chile e México), possui uma dependência crítica de rotas comerciais globais e infraestrutura logística. Com base em informações de quase 3.000 tomadores de decisão em 63 países e territórios, as conclusões do estudo demonstram um ambiente de negócios brasileiro pressionado por fatores macroeconômicos e físicos.

Outro ponto que chama atenção é a Variação da Taxa de Câmbio, que ocupa a 5ª posição entre os maiores riscos para as empresas brasileiras, embora não figure entre os dez principais riscos na média global. O levantamento confirma o impacto concreto dessa volatilidade: mais de dois terços (67,4%) das empresas brasileiras entrevistadas relataram perdas financeiras relacionadas às flutuações cambiais nos últimos 12 meses.

“O avanço dos riscos comerciais e operacionais evidenciam um ambiente de negócios cada vez mais volátil e incerto. Nesse cenário, a identificação estruturada dos riscos, aliada a estratégias eficazes de gestão e mitigação, deixou de ser apenas uma medida defensiva e passou a ser um diferencial competitivo. Empresas que fortalecem a resiliência de suas operações, especialmente em aspectos críticos como a cadeia de suprimentos, estão mais preparadas para enfrentar impactos e tomar decisões mais assertivas”, observa Alexandre Jardim, head of Commercial Risk Solutions para o Brasil na Aon.

A pesquisa também destaca categorias de risco que estão ganhando importância entre as empresas brasileiras:

Cibersegurança- O risco cibernético, que ocupa a 3ª posição na percepção dos líderes brasileiros (contra a 1ª posição global), também chama atenção. No entanto, o relatório aponta que apenas 24.7% das empresas brasileiras participantes possuem um plano de gestão de risco desenvolvido para este tipo de ataques ou violação de dados. O uso crescente de inteligência artificial e o avanço acelerado da digitalização ampliam a superfície de ataque, exigindo que as organizações migrem de posturas reativas para estratégias mais proativas de gestão do risco.

Commodities e mudanças climáticas- Ao projetar os riscos para os próximos três anos, até 2028, as organizações brasileiras apontam uma mudança na prioridade de riscos. O risco associado ao preço de commodities assume a liderança, seguido de perto pelas mudanças climáticas. Essa perspectiva reforça a sensibilidade do mercado nacional às pressões inflacionárias sobre insumos e à agenda ambiental, fatores decisivos para setores como o agronegócio e a indústria.

Principais Riscos Futuros Projetados para o Brasil (Próximos 3 anos):

Risco de preço de commodity/escassez de materiais

Mudanças climáticas

Mudanças regulatórias/legislativas

Interrupção de negócios

Variação da taxa de câmbio

A Pesquisa Global de Gestão de Riscos da Aon é realizada a cada dois anos. Nesta décima edição, contou com a participação de líderes de C-level e gestores de risco de empresas públicas e privadas de diversos portes. Apenas 14% dos líderes globais monitoram ativamente sua exposição aos dez principais riscos, evidenciando uma lacuna entre a percepção do risco e a preparação efetiva.

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