EXCLUSIVO – Vivemos em um tempo em que a palavra inovação está na ordem de “todos os dias”. Leonardo Dale, 38 anos, CEO da Oneglobal é um jovem que desde sempre atuou no mercado de seguros, com passagens por grandes multinacionais. Seu bom relacionamento contribuiu para levar a corretora a um patamar diferente, no qual consegue conciliar suas habilidades com o conhecimento.
Ele faz parte de uma nova geração de líderes que começa a chegar em seguradoras, corretoras de seguros e insurtechs, ambiente mais propício à nova geração. Há vários exemplos no mercado. O seu grande desafio é contemplar todos os colaboradores e ainda transmitir confiança aos stakeholders.
Segundo Renata Banzato, diretora de RH da Oneglobal, “do ponto de vista de pessoas, o desafio é garantir que a cultura acompanhe o crescimento da empresa. À medida que ampliamos equipes, escritórios e operações, precisamos criar mecanismos que preservem a proximidade, a colaboração e o senso de pertencimento que sempre fizeram parte da nossa identidade. Crescer mantendo a experiência do colaborador é uma prioridade estratégica para nós.”
Uma empresa não cresce apenas com novos talentos. A experiência é fundamental para garantir a qualidade do atendimento ao cliente e o desenvolvimento de produtos capazes de atender as demandas do mercado nacional e internacional. “Na prática, o pacto intergeracional acontece quando criamos espaços de troca genuína entre profissionais com trajetórias diferentes. O conhecimento técnico, a experiência e os relacionamentos construídos ao longo de anos se potencializam quando encontram a visão inovadora, a agilidade e a familiaridade tecnológica das novas gerações. O RH tem o papel de criar um ambiente onde essa troca aconteça de forma natural e produtiva”, acrescenta Renata.
Acompanhe a entrevista exclusiva com Leonardo Dale para conhecer o perfil do jovem executivo. Para ele, o próximo desafio do mercado de seguros não está em substituir gerações, mas em colocá-las na mesma mesa, preservando conhecimento e relacionamento enquanto abre espaço para novas formas de gestão, tecnologia e inovação. Ele reúne conhecimento técnico e experiência de mercado, sem abrir mão de uma visão inquieta sobre o futuro
Revista Apólice: O mercado de seguros é tradicional, meio conservador, mas necessita e anseia por novidades e inovação. Como apresentar e incorporar novidades ao setor de seguros?
Leonardo Dale: Eu não acredito em inovação pela inovação. No nosso mercado, confiança, relacionamento e conhecimento técnico continuam sendo fundamentais e não podem ser substituídos. O que precisamos questionar é a forma como fazemos as coisas.
Inovar pode ser usar inteligência artificial, dados e tecnologia, mas também pode ser simplificar um processo, responder mais rápido, eliminar uma burocracia ou criar uma experiência melhor para o cliente.
Acredito muito em respeitar o que o mercado de seguros construiu, mas sem ficar prisioneiro da maneira como sempre fizemos. Talvez essa seja uma característica dessa nova geração de líderes: temos enorme respeito pela história, mas também uma inquietude muito grande em relação ao futuro.
Revista Apólice: Aos quatro anos de vida, a Oneglobal consegue transmitir experiência e apresentar novas soluções ao mercado?
Leonardo Dale: Esse equilíbrio é uma das coisas mais interessantes da Oneglobal. Somos uma empresa jovem, com quatro anos no Brasil, mas formada por profissionais que carregam décadas de experiência no mercado.
Conseguimos reunir executivos extremamente experientes com uma geração nova, que chegou com muita energia, ambição e vontade de fazer diferente. Essa combinação é muito poderosa.
Não queremos ser uma empresa jovem que despreza a experiência, nem uma empresa experiente presa ao passado. Queremos combinar o melhor dos dois mundos.
E talvez o mais interessante seja que, apesar de tudo que construímos nesses quatro anos, internamente temos a sensação de que ainda estamos no começo.
Revista Apólice: Quando vocês olham para agosto de 2022 e para a empresa atual, o que mais mudou?
Leonardo Dale: Quase tudo mudou. O tamanho, a estrutura, as áreas de atuação, os escritórios, a complexidade dos clientes e, principalmente, a nossa responsabilidade. Mas fico muito feliz porque aquilo que considero mais importante mudou muito pouco: nossa essência.
Continuamos com um ambiente próximo, leve e extremamente colaborativo. Existe muita ambição e cobrança por performance, mas existe também amizade, respeito e uma vontade genuína de construir juntos.
Tenho orgulho dos números, mas tenho ainda mais orgulho quando caminho pelo escritório e vejo pessoas sorrindo, trocando ideias, ajudando umas às outras e comemorando juntas.
Em quatro anos, construímos uma empresa relevante. Agora, nosso desafio é continuar crescendo sem perder a alma de quando éramos pequenos.
Revista Apólice: Quais números ajudam a dimensionar essa trajetória?
Leonardo Dale: Os números mostram a velocidade dessa trajetória. Saímos de uma operação muito pequena para aproximadamente 150 pessoas, distribuídas em sete escritórios pelo Brasil. Ampliamos nossa atuação, incorporamos Benefícios com a chegada da Proativa, fortalecemos Resseguros e diferentes especialidades e hoje temos uma plataforma muito mais completa.
Em 2025, considerando a operação consolidada, chegamos a aproximadamente R$ 1 bi em prêmio. Para 2026, nosso orçamento prevê um volume de prêmio na ordem dos 1.4 bi. Mas, eu sempre tomo cuidado para que os números não se tornem uma história. Eles são consequência dela.
O que realmente construímos nesses quatro anos foi um time, uma cultura e uma empresa onde pessoas boas encontram espaço para crescer. Se continuarmos fazendo isso bem, acredito que os números continuarão vindo.
Revista Apólice: Quais decisões tomadas nesses primeiros quatro anos foram determinantes?
Leonardo Dale: A principal foi colocar os clientes, nossos colegas e a cultura no centro da estratégia. Desde o começo buscamos pessoas com espírito empreendedor e demos espaço para elas construírem. Sempre gostei da ideia de contratar pessoas melhores do que nós e não ter medo de dar autonomia.
Outra decisão importante foi entender que liderança não significa ter todas as respostas. Muitas vezes, liderar é montar o time certo, dar direção e depois sair da frente. Acho que uma parte importante do que construímos veio daí. As pessoas sentem que a Oneglobal também é delas. E quando você consegue criar esse sentimento de pertencimento, acontece algo muito poderoso.
Revista Apólice: Quais são os maiores desafios da Oneglobal hoje?
Leonardo Dale: Nosso maior desafio é crescer sem perder aquilo que nos trouxe até aqui. Crescer receita, ganhar clientes, abrir escritórios e desenvolver novas áreas são importantes. Mas nada disso pode acontecer às custas da nossa cultura.
Nosso grande tesouro hoje é o ambiente que construímos. Um ambiente leve, próximo, colaborativo, onde existe liberdade para falar, espaço para crescer e, ao mesmo tempo, uma enorme ambição por performance.
Cultura é relativamente fácil de preservar quando você tem 20 ou 30 pessoas. O verdadeiro teste acontece quando você começa a ganhar escala. Por isso, nosso desafio não é simplesmente ficar maior. É conseguir ficar melhor à medida que ficamos maiores.
Revista Apólice: A empresa reúne executivos com diferentes experiências, trajetórias e gerações. Isso foi pensado como parte do modelo de gestão?
Leonardo Dale: Sim, e considero isso uma das nossas maiores forças. Não acredito em times formados por pessoas que pensam igual. Temos profissionais extremamente experientes trabalhando ao lado de uma geração nova, cheia de energia, ambição e vontade de fazer diferente.
O profissional mais experiente traz repertório, relacionamento, conhecimento técnico e serenidade. O mais jovem traz questionamento, velocidade, tecnologia e uma disposição enorme para desafiar o status quo.
Quando existe respeito e humildade dos dois lados, essa combinação é muito forte. Não acredito que a renovação da liderança seja uma questão de idade. É uma questão de mentalidade
Revista Apólice: Como você define o pacto intergeracional dentro de uma empresa e de um setor?
Leonardo Dale: Para mim, pacto intergeracional significa entender que renovação não é substituição. Seria um enorme desperdício imaginar que uma geração precisa sair para outra entrar. O mercado de seguros foi construído por profissionais extraordinários e existe um patrimônio enorme de conhecimento, relacionamento e experiência que precisa ser preservado.
Ao mesmo tempo, toda nova geração precisa ter espaço para questionar, experimentar e construir sua própria forma de liderar. Os mais jovens precisam ter humildade para aprender. E os mais experientes precisam ter humildade para entender que experiência não pode se transformar em resistência à mudança.
O futuro provavelmente pertence às empresas que conseguirem colocar essas duas gerações na mesma mesa. Talvez pela minha idade, hoje com 38 anos, consigo me conectar com a geração de cima, como a nova. Acho que isso é uma das minhas grandes fortalezas.
Revista Apólice: Como transferir esse patrimônio para uma nova geração sem impedir que ela construa sua própria maneira de liderar?
Leonardo Dale: Dando responsabilidade de verdade. Não acredito que alguém aprenda liderança apenas fazendo cursos ou observando quem está acima. É preciso decidir, acertar, errar, sentir pressão e assumir as consequências. O papel de quem já viveu mais situações é compartilhar repertório, abrir portas e estar disponível, mas sem entregar uma receita pronta.
Eu não quero que os novos líderes da Oneglobal sejam cópias da nossa geração. Quero que aproveitem aquilo que aprendemos, evitem alguns dos nossos erros e construam algo ainda melhor. Talvez esse seja um dos maiores legados de um líder: desenvolver pessoas que um dia serão melhores do que ele.
Revista Apólice: Existe diferença entre preparar um sucessor e efetivamente dividir poder e espaço de decisão?
Leonardo Dale: Existe uma diferença enorme. É relativamente fácil dizer que você desenvolve pessoas. Mas, difícil é entregar uma decisão importante para alguém e aceitar que talvez ela não decida exatamente como você decidiria.
Desenvolver líderes exige abrir espaço de verdade. Dar autonomia, visibilidade e responsabilidade. E também permitir que as pessoas errem. Eu acredito cada vez mais que o sucesso de um líder não deveria ser medido apenas pelo resultado que ele entrega, mas pela quantidade de pessoas que cresceram ao redor dele. Se uma empresa depende excessivamente de uma única pessoa, ela pode até ter um grande executivo, mas provavelmente ainda não construiu uma grande liderança.
Revista Apólice: Quais características serão indispensáveis para o executivo que comandará uma corretora daqui a dez anos?
Leonardo Dale: Curiosidade, inteligência emocional, adaptabilidade, capacidade de formar pessoas e muita humildade. Conhecimento técnico continuará sendo fundamental, mas não será suficiente. O líder precisará entender tecnologia, inteligência artificial e dados e tomar decisões em uma velocidade muito maior. Mas existe um paradoxo interessante: quanto mais tecnologia tivermos, mais importantes serão algumas características essencialmente humanas, como empatia, confiança, julgamento, capacidade de inspirar pessoas e coragem para tomar decisões serão ainda mais valiosas. O grande líder do futuro será tecnologicamente sofisticado, mas deverá ser profundamente humano.
Revista Apólice: Aos quatro anos, qual é a próxima etapa da Oneglobal Brasil? Onde pretende estar aos dez anos?
Leonardo Dale: Quando olho para esses quatro anos, tenho muito orgulho. Crescemos, trouxemos pessoas extraordinárias, ampliamos nossa presença e construímos uma empresa relevante em muito pouco tempo. Mas existe uma frase que repito bastante internamente: ainda estamos no começo.
Não tenho obsessão por sermos os maiores. Tenho obsessão por construirmos uma das melhores empresas para se trabalhar e se desenvolver. Quando completarmos dez anos, quero que a Oneglobal seja reconhecida não apenas pelo tamanho ou pelos resultados, mas pela excelência com que atende seus clientes, pelas pessoas que formou e pela cultura que conseguiu preservar enquanto crescia. Gostaria de olhar para a empresa e encontrar uma geração inteira de líderes que se desenvolveu aqui e que será melhor do que nós somos hoje.
Nosso maior patrimônio não está no balanço. É a nossa cultura. É esse ambiente especial, leve, próximo, colaborativo e, ao mesmo tempo, de altíssima performance. É ver pessoas que gostam de trabalhar juntas e sentem orgulho daquilo que estão construindo. Se conseguirmos preservar isso enquanto crescemos, não sei exatamente qual será o tamanho da Oneglobal aos dez anos. Mas tenho certeza de que teremos construído algo muito especial. Talvez essa seja a parte mais empolgante: depois de tudo que aconteceu em apenas quatro anos, nós genuinamente sentimos que ainda estamos só começando.
*Matéria originalmente publicada na Edição #322 da Revista Apólice.
The post Oneglobal: a renovação do mercado já começou appeared first on Revista Apólice.
