O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, também reforça o debate sobre as transformações nas relações profissionais. Em um cenário marcado pelo crescimento de autônomos, consultores independentes e contratações no modelo pessoa jurídica (PJ), o seguro de responsabilidade civil (RC) passa a ocupar papel mais relevante como instrumento de proteção patrimonial e continuidade das atividades.
Tradicionalmente associado a grandes empresas e setores específicos, como saúde e indústria, o seguro de responsabilidade civil ampliou sua presença nos últimos anos e passou a atender um número maior de profissionais expostos a riscos ligados à prestação de serviços.
Segundo Bruno Mendes, da Lojacorr Seguros, “O perfil não só mudou, como expandiu absurdamente. Antigamente, quando se falava em Seguro de Responsabilidade Civil (RC), todo mundo pensava logo em médicos ou grandes indústrias. Hoje, a história é outra. O profissional de hoje entendeu que ‘errar é humano’, mas que o custo desse erro pode ser bem salgado”.
De acordo com Zilmero Júnior, o avanço do modelo PJ alterou a distribuição de responsabilidades entre empresas e prestadores de serviço. “O crescimento do modelo PJ trouxe mais autonomia aos profissionais, mas também transferiu para eles uma responsabilidade direta sobre riscos que antes estavam diluídos nas empresas”, afirma.
Na prática, falhas operacionais podem gerar impactos financeiros e reputacionais relevantes. Entre os riscos mais comuns estão envio de informações incorretas, perda de prazos, erros de cálculo, falhas técnicas e vazamento de dados. “A depender da área de atuação do profissional, pequenos erros podem ocasionar prejuízos relevantes, sejam eles no aspecto financeiro ou até da vida”, acrescenta Zilmero.
Com maior conscientização sobre direitos e crescimento da judicialização, o ambiente de negócios também se tornou mais sensível a disputas entre clientes e prestadores de serviço. “O cenário atual é de ‘dedo no gatilho’: qualquer insatisfação vira processo. E a gente sabe que, mesmo que você esteja certo e ganhe a causa lá na frente, o caminho até lá custa caro”, observa Bruno Mendes.
Nesse contexto, o seguro RC passa a ser visto como ferramenta estratégica. Além de cobrir indenizações previstas em apólice, a proteção costuma incluir suporte jurídico, despesas processuais, perícias e honorários advocatícios. “É aqui que o seguro de RC vira o melhor amigo do fluxo de caixa. Ele contribui com a blindagem do patrimônio, em vez de você tirar dinheiro do seu bolso (ou da reserva da empresa) para pagar uma indenização ou um acordo, a seguradora assume a conta”, diz.
Outro fator que impulsiona a demanda é a exigência crescente de empresas contratantes, especialmente em setores regulados ou com maior exposição operacional. “Observa-se um aumento gradual na conscientização das empresas contratantes, que passaram a exigir o seguro de responsabilidade civil profissional como pré-requisito em diversas contratações, reforçando ainda mais a relevância e a expansão desse mercado”, completa Zilmero.
Para especialistas, a expansão desse tipo de cobertura reflete mudança estrutural no mercado de trabalho: mais do que evitar erros, profissionais e empresas buscam mecanismos para administrar seus impactos e preservar patrimônio, reputação e continuidade dos negócios.
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