EXCLUSIVO – A partida entre Brasil e Haiti, nesta sexta-feira (19), pela segunda rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, deve mobilizar novamente milhares de torcedores em bares, praças, fan fests e outros espaços públicos por aí. Enquanto a expectativa está voltada para o desempenho da Seleção em campo, também cresce a necessidade de atenção à proteção dos bens pessoais e da vida financeira, já que ambientes de grande concentração de pessoas tendem a aumentar a exposição a furtos e roubos.
Hoje, o roubo de um celular pode representar muito mais do que a perda do aparelho. Com aplicativos bancários, documentos digitais e sistemas de pagamento concentrados no dispositivo, criminosos passaram a utilizá-lo como porta de entrada para movimentações financeiras indevidas.
Paulo Davidoff, da Alper Seguros
Para Paulo Davidoff, diretor de Massificados e Personal Lines da Alper Seguros, eventos esportivos costumam aumentar a exposição a esse tipo de ocorrência devido à aglomeração de pessoas e à distração típica das comemorações. “O produto que tem mais relação com eventos esportivos é o seguro do celular. Os eventos tendem a levar pessoas para locais de concentração de torcidas e o celular sempre acompanha as pessoas, sendo objeto de desejo de criminosos que se aproveitam destas aglomerações”, afirma.
O executivo observa que a preocupação vai além da reposição do equipamento. O avanço das fraudes financeiras após o roubo do aparelho fez surgir um interesse crescente por coberturas voltadas às transações bancárias. “Outra proteção importante relacionada aos eventos esportivos e também aos aparelhos celulares são os seguros de proteção de transações financeiras indevidas, como o Pix, que podem ser parte dos problemas causados pelo roubo de celulares”.
Embora a Copa do Mundo aumente a atenção para esses riscos, a corretora destaca que muitas pessoas ainda procuram esse tipo de cobertura apenas em ocasiões específicas. A recomendação, no entanto, é adotar uma estratégia permanente de proteção. “A segurança deve ser pensada pelas pessoas de maneira corrente. Os seguros são usualmente anualizados e, considerando que existem eventos esportivos ao longo do ano, o consumidor deveria planejar e já manter seus bens segurados, evitando essa preocupação apenas na época do evento”, explica.
Cobertura exige atenção aos detalhes
Conhecer exatamente o que está previsto na apólice também é essencial para evitar frustrações no momento do sinistro. De acordo com a Alper, muitos problemas surgem porque o segurado acredita estar protegido em situações que, na prática, não fazem parte da cobertura contratada.
Os seguros para celulares podem ser adquiridos com diferentes composições, incluindo proteção para roubo, furto, quebra de tela, danos acidentais, derramamento ou imersão em líquidos, entre outras possibilidades. Nesse contexto, a orientação especializada pode fazer toda a diferença. “Se o consumidor não tiver clareza sobre as coberturas que está contratando pode gerar frustração. O papel da corretora é esclarecer e indicar ao consumidor o que melhor lhe atende, o que é fundamental para evitar esse tipo de situação”.
Outro aspecto que costuma gerar dúvidas é a diferença entre furto simples e furto qualificado. Imagine um torcedor que deixa o celular sobre a mesa de um bar enquanto vai ao banheiro e, ao retornar, percebe que o aparelho desapareceu. Dependendo das condições da apólice, esse tipo de ocorrência normalmente não gera indenização.
Isso porque, conforme explica Paulo, a maior parte dos produtos disponíveis no mercado cobre apenas o furto qualificado. “O furto coberto, usualmente, é o furto qualificado, não dando cobertura para o furto simples que, praticamente, seria o desaparecimento do aparelho em alguma situação qualquer, sem fato que caracterize algo que não seja o descuido do consumidor”.
O executivo lembra ainda que outro ponto importante é a existência de franquia, comum nesse segmento e que pode variar entre 15% e 25% do valor do aparelho.
Ninguém está imune ao risco
A sofisticação das fraudes digitais também tem levado o mercado a desenvolver soluções voltadas à proteção de movimentações financeiras realizadas após o roubo do celular.
A Alper percebem um aumento na procura por esse tipo de cobertura, embora avalie que ainda exista espaço para ampliar a conscientização da população. “Cada vez mais temos crimes no ambiente digital e, no caso dos celulares, que são instrumentos de acesso às transações financeiras, isso se potencializa”. Apesar desse avanço, Davidoff ressalta que as coberturas atualmente disponíveis possuem limitações. “Existe o seguro de transações financeiras indevidas atrelado ao seguro do próprio aparelho, porém suas coberturas normalmente são limitadas a R$ 5 mil. Valores maiores não estão cobertos” completa.
Além da contratação do seguro, o especialista recomenda utilizar recursos de segurança disponíveis no próprio dispositivo, como reconhecimento facial e outras ferramentas capazes de dificultar o acesso de terceiros a aplicativos bancários e informações sensíveis.
Embora fatores como patrimônio, hábitos de consumo e rotina possam aumentar a exposição de determinadas pessoas, o diretor acredita que o problema deixou de atingir apenas grupos específicos. “Pelo que acompanhamos nos noticiários, qualquer pessoa está exposta ao risco. Dependendo das posses financeiras, do acesso digital e do comportamento social algumas tendem a ter maior risco, mas entendemos que a preocupação deveria ser horizontal. Ninguém está imune atualmente”, conclui.
Com o Brasil ainda em busca da classificação para a próxima fase da Copa do Mundo e a perspectiva de novas concentrações de torcedores nos próximos jogos, o alerta permanece atual. Afinal, o prejuízo provocado pelo roubo de um celular pode ultrapassar, e muito, o valor do próprio aparelho.
Nicholas Godoy
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